Reconciliação bancária: guia passo a passo com um exemplo
O que é a reconciliação bancária, como fazê-la passo a passo, a fórmula com um exemplo resolvido e porque é que o saldo do banco difere da sua contabilidade.
Equipa ClientllyAtualizado 9 min de leitura
Pontos-chave
- A reconciliação bancária compara o extrato do banco com os seus próprios registos da mesma conta no mesmo período, explica cada diferença e corrige a contabilidade.
- O saldo do banco difere do saldo contabilístico por diferenças de tempo, por movimentos que até agora só o banco registou e por erros de um dos lados.
- Saldo bancário ajustado = saldo do extrato + depósitos em trânsito − pagamentos ainda não debitados ± erros do banco, e tem de ser igual ao saldo contabilístico ajustado.
- Reconcilie as contas com muito movimento todas as semanas, e todas as contas bancárias e de caixa pelo menos uma vez por mês, antes do fecho.
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A reconciliação bancária consiste em comparar o extrato do banco com os seus próprios registos da mesma conta bancária no mesmo período, explicar cada diferença e corrigir a contabilidade onde estiver errada. O objetivo é simples: depois de ajustar as diferenças de tempo e os registos em falta, o saldo bancário ajustado é igual ao saldo contabilístico ajustado.
Saldo bancário ajustado = saldo do extrato + depósitos em trânsito − pagamentos ainda não debitados ± erros do banco
Saldo contabilístico ajustado = saldo contabilístico + recebimentos e juros não registados − comissões, débitos diretos e devoluções não registados ± erros contabilísticos
Se os dois saldos ajustados forem iguais, a conta está reconciliada. Se não forem, há pelo menos um movimento por explicar.
Porque é que a reconciliação bancária é importante
O banco e a sua contabilidade registam o mesmo dinheiro, mas não no mesmo momento nem sempre da mesma forma. Reconciliar com regularidade permite detetar:
- Registos em falta ou duplicados: um pagamento a um fornecedor que ninguém registou, ou um recebimento de um cliente lançado duas vezes.
- Comissões bancárias e juros, que só aparecem no extrato.
- Pagamentos falhados ou devolvidos: uma fatura marcada como paga embora o dinheiro tenha voltado para o cliente.
- Fraudes e erros: pagamentos que não autorizou, dados bancários de um fornecedor alterados ou um erro do banco. Quanto mais cedo os detetar, maiores são as hipóteses de recuperar o dinheiro.
- Declarações e números de tesouraria errados: as declarações de IVA ou de impostos sobre vendas, os resultados e a sua previsão de tesouraria só são tão fiáveis como os registos em que se baseiam.
O seu contabilista ou auditor vai normalmente pedir-lhe as reconciliações bancárias. As obrigações de registo contabilístico variam de país para país, por isso confirme as que se aplicam à sua empresa com o seu contabilista.
Porque é que o saldo do banco difere da sua contabilidade
Cada diferença pertence a um destes três grupos:
- Diferenças de tempo: registou a operação, mas o banco ainda não a processou, ou o contrário.
- Movimentos que só o banco conhece até ler o extrato: comissões, juros, débitos diretos e devoluções.
- Erros, normalmente na sua contabilidade e de vez em quando no banco.
Estes são os itens de reconciliação que vai encontrar com mais frequência:
| Item de reconciliação | Lado a ajustar | O que fazer |
|---|---|---|
| Pagamentos ainda não debitados (transferências ou cheques emitidos que ainda não foram descontados) | Lado do banco: subtrair | Nada a registar; confirmar que aparecem no próximo extrato |
| Depósitos em trânsito (dinheiro depositado mas ainda não creditado) | Lado do banco: somar | Nada a registar; confirmar que aparecem dentro de poucos dias |
| Comissões e despesas bancárias | Lado contabilístico: subtrair | Registá-las como gasto |
| Juros recebidos | Lado contabilístico: somar | Registá-los como rendimento |
| Débitos diretos e transferências periódicas ainda não registados | Lado contabilístico: subtrair | Registar o gasto ou o pagamento ao fornecedor |
| Liquidações de cartões pagas líquidas de comissões | Lado contabilístico: subtrair a comissão | Registar a comissão como gasto e associar o valor líquido às vendas com cartão |
| Recebimentos de clientes devolvidos ou falhados | Lado contabilístico: subtrair | Anular o recebimento, reabrir a fatura e contactar o cliente |
| Recebimentos de clientes ainda não registados | Lado contabilístico: somar | Registar o recebimento na fatura certa |
| Erros na sua contabilidade (valor errado, duplicado, conta errada) | Lado contabilístico: somar ou subtrair | Corrigir o lançamento |
| Erros do banco | Lado do banco: somar ou subtrair | Pedir ao banco que os corrija e manter o item na lista até que o faça |
Uma regra simples: se o movimento já está na sua contabilidade e o banco vai registá-lo mais tarde, ajuste o lado do banco e não registe nada. Se o banco tem razão e o movimento falta na sua contabilidade, registe-o.
Como fazer uma reconciliação bancária passo a passo
- Obtenha o extrato bancário do período, ou exporte os movimentos, juntamente com os seus registos da mesma conta (a conta bancária na contabilidade ou o seu livro de caixa) para as mesmas datas.
- Confirme que os saldos iniciais coincidem. O saldo inicial do extrato deve ser igual ao saldo final reconciliado do período anterior. Se não for, corrija primeiro o período anterior.
- Associe os recebimentos. Marque cada crédito do extrato contra um recebimento registado na contabilidade, pelo valor, pela data e pela referência.
- Associe os pagamentos. Faça o mesmo com cada débito: pagamentos a fornecedores, salários, impostos e compras com cartão.
- Registe os movimentos que só o banco conhece: comissões, juros, débitos diretos, transferências periódicas, liquidações de cartões e devoluções.
- Liste as diferenças de tempo: pagamentos emitidos ainda não debitados e depósitos em trânsito. Não os registe outra vez, porque já estão na sua contabilidade.
- Investigue o resto. O que continua por associar é um registo em falta, um duplicado, um valor errado ou um erro do banco. Corrija a contabilidade ou peça ao banco que corrija o erro.
- Calcule os saldos ajustados com as fórmulas acima. Têm de coincidir ao cêntimo.
- Reveja, aprove e bloqueie o período. O ideal é que a reconciliação seja revista por alguém que não faz os pagamentos. Guarde-a com o extrato e bloqueie o período, para que os lançamentos reconciliados já não possam ser alterados.
Exemplo de reconciliação bancária
O seu extrato de março termina em 12 450,00 €, mas a conta bancária na sua contabilidade mostra 11 483,30 €, uma diferença de 966,70 €. Ao seguir os passos, encontra três itens do lado do banco e cinco do lado contabilístico.
| Lado do banco | Valor |
|---|---|
| Saldo do extrato bancário a 31 de março | 12 450,00 € |
| Depósito em trânsito: numerário depositado a 31 de março, creditado a 1 de abril | +1200,00 € |
| Pagamento ainda não debitado: transferência para um fornecedor de 31 de março, debitada a 1 de abril | −2350,00 € |
| Pagamento ainda não debitado: pagamento com cartão a um fornecedor, ainda pendente no banco | −480,00 € |
| Saldo bancário ajustado | 10 820,00 € |
| Lado contabilístico | Valor |
|---|---|
| Saldo contabilístico a 31 de março | 11 483,30 € |
| Comissões bancárias de março | −18,50 € |
| Juros creditados pelo banco | +4,20 € |
| Recebimento de um cliente devolvido pelo banco | −650,00 € |
| Débito direto do seguro ainda não registado | −89,00 € |
| Correção: recebimento de um cliente de 540,00 € registado como 450,00 € | +90,00 € |
| Saldo contabilístico ajustado | 10 820,00 € |
Os dois lados chegam a 10 820,00 €, por isso a conta está reconciliada. Como verificação, os itens do lado do banco somam −1630,00 € e os do lado contabilístico −663,30 €; a diferença entre eles, 966,70 €, é exatamente a diferença inicial.
Agora registe na contabilidade os cinco itens do lado contabilístico. Os três itens do lado do banco não precisam de lançamento: devem aparecer no extrato de abril, e nessa altura marca-os.
Com que frequência deve reconciliar?
Reconcilie cada conta bancária pelo menos uma vez por mês, antes do fecho: uma conta bancária reconciliada é um dos primeiros pontos de qualquer checklist de fecho do mês. As contas com muitos movimentos por dia são mais fáceis de reconciliar todas as semanas, ou mesmo todos os dias, porque cada ronda tem menos itens para associar e os problemas aparecem enquanto todos ainda se lembram dos pormenores.
Reconcilie todos os sítios onde está o dinheiro da empresa, e não só a conta principal:
- as contas poupança e todas as outras contas bancárias, cada uma separadamente
- os cartões de crédito da empresa, com o extrato do cartão
- os saldos em prestadores de pagamentos online, com os respetivos relatórios de transferências
- as caixas registadoras e o fundo de maneio: conte o numerário, compare-o com o livro de caixa e registe qualquer falta ou sobra com uma explicação
Dicas para associar movimentos mais depressa
- Coloque um número de referência em cada fatura e peça aos clientes que o indiquem quando pagam. Um recebimento com o número da fatura associa-se em segundos.
- Use uma conta bancária para cada finalidade, por exemplo uma para os recebimentos de clientes e outra para salários e impostos, e nunca misture pagamentos pessoais e da empresa.
- Importe os extratos em vez de os digitar. Um ficheiro CSV ou uma ligação bancária direta elimina os erros de digitação e poupa tempo.
- Defina regras de associação para os movimentos recorrentes, como comissões bancárias, renda, prestações de empréstimos e subscrições, para que sejam registados da mesma forma todos os meses.
- Trate bem os pagamentos parciais. Associe à fatura o valor recebido e deixe o resto em aberto, em vez de marcar a fatura toda como paga.
- Divida os pagamentos agrupados. Quando uma transferência paga várias faturas, distribua-a por todas as faturas que cobre. Se a referência não indicar quais são, peça ao cliente um aviso de pagamento.
Erros comuns
- Forçar o saldo com um lançamento de ajuste sem explicação, em vez de encontrar a diferença.
- Registar as diferenças de tempo na contabilidade, fazendo com que um pagamento ainda não debitado seja contado duas vezes.
- Partir de um saldo inicial não reconciliado, que arrasta os erros do mês anterior para este.
- Deixar itens antigos para sempre. Um pagamento que continua por debitar ao fim de várias semanas, ou um depósito que nunca chegou, tem de ser investigado.
- Comparar só os totais. Dois erros podem anular-se, por isso associe os movimentos um a um.
- Alterar um período já reconciliado sem voltar a reconciliá-lo.
- Reconciliar só no fim do ano, quando encontrar uma única diferença pode demorar dias.
Como o Clientlly ajuda
No Clientlly cria cada conta bancária e de caixa com o respetivo saldo inicial e depois traz os movimentos bancários por importação de CSV ou, com os bancos suportados, através de uma ligação bancária que os sincroniza. A associação bancária automática liga as linhas do extrato aos pagamentos registados, associa o resto manualmente, e o mapeamento de contas define as contas contabilísticas para onde vão os lançamentos de banco e caixa. Os pagamentos registados em faturas, incluindo um pagamento distribuído por várias faturas, e os pagamentos a fornecedores são lançados automaticamente no razão, enquanto os avisos de integridade de saldos assinalam os saldos de banco e caixa que deve verificar. Os períodos contabilísticos com checklists de fecho ajudam-no a aprovar e fechar o mês; veja o módulo de contabilidade.
Perguntas frequentes
O que é uma reconciliação bancária?
É a verificação de que os seus registos de uma conta bancária coincidem com o extrato do banco para o mesmo período. Explica cada diferença, corrige a contabilidade onde for preciso e termina quando o saldo bancário ajustado é igual ao saldo contabilístico ajustado.
Porque é que o saldo do banco não bate certo com a contabilidade?
Normalmente por diferenças de tempo, como pagamentos ainda não debitados ou depósitos em trânsito, e por movimentos que ainda não registou, como comissões, juros, débitos diretos ou devoluções. O que sobra depois disso é um erro, na sua contabilidade ou no banco.
Com que frequência se deve fazer a reconciliação bancária?
Pelo menos uma vez por mês para cada conta, antes do fecho do mês. As contas com muitos movimentos são mais fáceis de reconciliar todas as semanas ou até todos os dias.
O que é um depósito em trânsito?
É dinheiro que depositou e registou, mas que o banco ainda não creditou na conta, por exemplo numerário depositado depois da hora limite do banco. Soma-o do lado do banco na reconciliação e não regista mais nada.
O que fazer se a reconciliação bancária não bate certo?
Confirme que os saldos iniciais coincidem e depois procure movimentos por associar, duplicados e valores mal registados. Uma diferença divisível por 9 indica muitas vezes dois algarismos trocados, e uma diferença igual ao dobro de um movimento, um lançamento registado ao contrário.
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