FIFO ou custo médio ponderado: como valorizar o inventário
FIFO ou custo médio ponderado? Exemplo prático com custo das vendas, inventário final e efeito no lucro, porque as IFRS proíbem o LIFO e que custos incluir.
Equipa ClientllyAtualizado 11 min de leitura
Pontos-chave
- O FIFO pressupõe que as unidades mais antigas são vendidas primeiro, pelo que o stock que fica é valorizado aos custos de compra mais recentes.
- O custo médio ponderado unitário é igual ao custo total das unidades disponíveis a dividir pelo número de unidades disponíveis.
- As IFRS (IAS 2) aceitam o FIFO, o custo médio ponderado e, para bens únicos, a identificação específica, mas não o LIFO, que os US GAAP ainda permitem.
- Com preços de compra a subir, o FIFO dá um custo das mercadorias vendidas mais baixo e um lucro mais alto do que o custo médio ponderado; com preços a descer, acontece o contrário.
- O custo do inventário inclui o preço de compra depois de descontos, os direitos de importação, os impostos não recuperáveis, o transporte e o manuseamento, mas não o IVA dedutível, a armazenagem nem os custos de venda.
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O FIFO (primeiro a entrar, primeiro a sair) pressupõe que as unidades mais antigas são vendidas primeiro, e o stock restante fica com os custos mais recentes. O custo médio ponderado atribui o mesmo custo a todas as unidades. As IFRS (IAS 2) aceitam ambos, mas não o LIFO (último a entrar, primeiro a sair), que os US GAAP permitem.
Custo médio unitário = custo total das unidades disponíveis ÷ unidades disponíveis
A escolha do método altera o custo das mercadorias vendidas (CMV), o valor do inventário final e o seu lucro, mas não o dinheiro que pagou aos fornecedores. Um único exemplo com preços a subir acompanha todo o guia.
FIFO e custo médio ponderado: resumo
| FIFO | Custo médio ponderado | |
|---|---|---|
| Pressuposto | Saem primeiro as unidades mais antigas | Todas as unidades têm o mesmo custo médio |
| O inventário final é valorizado a | Custos de compra mais recentes | Custo médio de tudo o que estava disponível |
| CMV com preços a subir | Mais baixo | Mais alto do que no FIFO |
| Lucro com preços a subir | Mais alto | Mais baixo do que no FIFO, mas mais estável |
| O que acompanha | Uma camada de custo por cada entrada | Um custo médio por produto, sempre atualizado |
| Aceite pelas IFRS (IAS 2) | Sim | Sim |
| Uso típico | Produtos com prazo de validade ou preços que mudam depressa | Bens intercambiáveis comprados com frequência a preços diferentes |
Ao longo da vida do stock, os dois métodos reconhecem como gasto o mesmo custo total. Só muda quanto cai no CMV deste período e quanto fica em inventário no balanço.
Exemplo prático: FIFO, custo médio ponderado e LIFO
Uma loja vende um único produto, cujo preço de compra sobe durante o mês:
| Movimento | Unidades | Custo unitário | Custo total |
|---|---|---|---|
| Inventário inicial | 100 | 10,00 € | 1000,00 € |
| Compra 1 | 200 | 13,00 € | 2600,00 € |
| Compra 2 | 100 | 15,00 € | 1500,00 € |
| Disponível para venda | 400 | 5100,00 € |
Durante o mês, a loja vende 250 unidades, por isso ficam 150. Cada método responde à mesma pergunta: que parte dos 5100,00 € passa a CMV e que parte fica em stock?
FIFO
As 250 unidades vendidas saem primeiro das camadas mais antigas:
- 100 unidades do inventário inicial × 10,00 € = 1000,00 €
- 150 unidades da compra 1 × 13,00 € = 1950,00 €
- CMV = 2950,00 €
As 150 unidades que ficam são as mais recentes: 50 × 13,00 € + 100 × 15,00 € = 650,00 € + 1500,00 € = 2150,00 €.
Custo médio ponderado do período
- Custo médio unitário = 5100,00 € ÷ 400 = 12,75 €
- CMV = 250 × 12,75 € = 3187,50 €
- Inventário final = 150 × 12,75 € = 1912,50 €
LIFO, só para comparação
O LIFO usa primeiro as unidades mais recentes: 100 × 15,00 € + 150 × 13,00 € = 3450,00 € de CMV, ficando 50 × 13,00 € + 100 × 10,00 € = 1650,00 € em stock. Aparece aqui apenas para explicar o debate; com as IFRS não o pode usar.
Os resultados lado a lado
Suponha que cada unidade foi vendida a 20,00 €, pelo que as vendas somam 250 × 20,00 € = 5000,00 €.
| FIFO | Custo médio ponderado | LIFO (não aceite pelas IFRS) | |
|---|---|---|---|
| CMV | 2950,00 € | 3187,50 € | 3450,00 € |
| Inventário final (150 unidades) | 2150,00 € | 1912,50 € | 1650,00 € |
| Verificação: CMV + inventário final | 5100,00 € | 5100,00 € | 5100,00 € |
| Margem bruta | 2050,00 € | 1812,50 € | 1550,00 € |
Todos os métodos repartem os mesmos 5100,00 €. Se os seus números não voltarem a somar o custo total disponível, falta um movimento ou há um registo em duplicado.
Custo médio móvel: uma venda entre duas compras
Os sistemas de inventário permanente, que atualizam o stock a cada movimento, recalculam a média após cada entrada. Suponha que as 250 unidades foram vendidas depois da compra 1, mas antes da compra 2:
| Passo | Unidades em stock | Custo total | Custo médio unitário |
|---|---|---|---|
| Inventário inicial | 100 | 1000,00 € | 10,00 € |
| Compra 1: 200 × 13,00 € | 300 | 3600,00 € | 12,00 € |
| Venda: 250 × 12,00 € = 3000,00 € | 50 | 600,00 € | 12,00 € |
| Compra 2: 100 × 15,00 € | 150 | 2100,00 € | 14,00 € |
O CMV é de 3000,00 € e o inventário final de 2100,00 €, de novo 5100,00 € no total. A venda não absorveu nenhuma das unidades a 15,00 €, porque ainda não tinham chegado. Já o FIFO dá o mesmo resultado (2950,00 € e 2150,00 €), quer calcule após cada movimento, quer no fim do período; a média não.
Como o método altera o lucro e os impostos
No exemplo, o FIFO apresenta mais 237,50 € de margem bruta do que o custo médio ponderado (2050,00 € − 1812,50 €), com exatamente as mesmas compras e vendas. O padrão é geral:
- Preços a subir: o FIFO dá o CMV mais baixo, o lucro mais alto e o maior valor de inventário. Quando o lucro tributável segue o resultado contabilístico, dá também o maior lucro tributável do período.
- Preços a descer: o efeito inverte-se e o FIFO dá o lucro mais baixo.
- O custo médio ponderado fica no meio e suaviza as oscilações de preço, porque cada compra se mistura num único custo.
- Ao longo do tempo, as diferenças compensam-se. O método decide quando um custo chega à demonstração de resultados, não quanto lhe custou a mercadoria.
O método também mexe na sua margem bruta: 41% com FIFO (2050,00 € ÷ 5000,00 €) contra 36,25% com custo médio ponderado (1812,50 € ÷ 5000,00 €). Se define preços a partir de margens, compare o que é comparável; veja margem e markup.
Que método escolher?
A IAS 2 aceita o FIFO ou o custo médio ponderado para bens normalmente intercambiáveis. Os que não o são, como um automóvel com o seu número de chassis ou uma máquina feita por encomenda, são valorizados por identificação específica: cada venda leva o custo dessa unidade concreta.
- Separe as peças únicas. Valorize por identificação específica tudo o que acompanha unidade a unidade.
- Um só método para bens semelhantes. A IAS 2 exige o mesmo método para todos os inventários de natureza e uso semelhantes. Grupos diferentes, como matérias-primas e mercadorias, podem usar métodos diferentes, mas uma localização diferente não basta, por si só, para o justificar.
- Tenha em conta o comportamento dos produtos. O FIFO adapta-se a produtos com prazo de validade ou preços que mudam depressa. A média adapta-se a bens que se misturam e já não se distinguem, como o combustível num depósito ou os parafusos numa caixa.
- Confirme as regras que se aplicam a si. Muitas pequenas empresas aplicam normas contabilísticas nacionais em vez das IFRS completas, e as regras fiscais podem limitar a escolha. Confirme com o seu contabilista.
- Seja consistente. Aplique o mesmo método em todos os exercícios. Mudar é uma alteração de política contabilística: exige uma boa razão e tem de ser explicada nas demonstrações financeiras.
O que entra no custo dos inventários segundo a IAS 2
Segundo a IAS 2, o custo dos inventários inclui os custos de compra, os custos de conversão dos bens que produz e outros custos incorridos para colocar os inventários no local e na condição atuais.
| Incluído no custo | Excluído do custo |
|---|---|
| Preço de compra, deduzido de descontos comerciais e abatimentos | IVA dedutível |
| Direitos de importação e outros impostos não recuperáveis | Armazenagem, salvo se for necessária no processo produtivo |
| Transporte até às suas instalações | Custos de venda e distribuição |
| Manuseamento e outros custos diretamente atribuíveis à compra | Quantidades anormais de desperdício de materiais ou mão de obra |
| Mão de obra direta e gastos gerais de produção, se produz | Gastos administrativos que não contribuem para colocar os bens no local e na condição atuais |
Assim se forma o custo unitário de 13,00 € da compra 1:
| Compra 1: 200 unidades | Valor | Faz parte do custo? |
|---|---|---|
| Preço de tabela, 200 × 13,50 € | 2700,00 € | Sim |
| Desconto comercial, 10% | −270,00 € | Deduzido |
| Direitos de importação | 120,00 € | Sim |
| Descarga e manuseamento | 50,00 € | Sim |
| IVA dedutível | conforme fatura | Não |
| Armazenagem do mês seguinte | 60,00 € | Não, gasto do período |
| Custo do inventário | 2600,00 € | 13,00 € por unidade |
O menor entre custo e valor realizável líquido
Os inventários são mensurados pelo menor entre o custo e o valor realizável líquido: o preço de venda estimado menos os custos estimados de acabamento e de venda. Reveja o stock de baixa rotação, danificado ou obsoleto pelo menos em cada fecho. Se 10 das unidades a 15,00 € estiverem riscadas e forem vendidas a 12,00 € com 2,00 € de custos de venda cada uma, o valor realizável líquido é de 10,00 € e regista um ajustamento de 10 × (15,00 € − 10,00 €) = 50,00 € como gasto. Se o valor recuperar mais tarde, o ajustamento é revertido, mas nunca acima do custo original.
Gastos adicionais de compra que chegam depois da mercadoria
As faturas de transporte, seguro, alfândega ou despachante chegam muitas vezes dias ou semanas depois da mercadoria, por vezes quando parte dela já foi vendida. O custo continua a pertencer a esses bens:
- Identifique a entrada a que a fatura diz respeito e as unidades que abrangia.
- Reparta o custo por essas unidades: pela quantidade, se for um só produto, ou pelo valor, peso ou volume, se vários produtos partilharem uma remessa.
- Some ao inventário a parte das unidades que ainda estão em stock, o que aumenta o seu custo unitário.
- Leve ao CMV a parte das unidades já vendidas.
Exemplo: a fatura de transporte de 300,00 € da compra 1 (200 unidades, ou seja, 1,50 € por unidade) chega depois da venda das 250 unidades. Com FIFO, foram vendidas 150 unidades da compra 1 e 50 continuam em stock.
| Unidades da compra 1 | Unidades | Parte do transporte |
|---|---|---|
| Já vendidas, para o CMV | 150 | 225,00 € |
| Ainda em stock, para o inventário | 50 | 75,00 € |
| Total | 200 | 300,00 € |
As 50 unidades que restam passam a custar 13,00 € + 1,50 € = 14,50 € cada, 725,00 € no total. O inventário final sobe para 725,00 € + 1500,00 € = 2225,00 € e o CMV para 2950,00 € + 225,00 € = 3175,00 €. Juntos somam 5400,00 €: os 5100,00 € iniciais mais os 300,00 € de transporte.
O transporte que já conhece, mas que ainda não foi faturado no fim do mês, deve ser registado como acréscimo de gastos; a checklist de fecho mensal cobre esse passo.
Erros comuns
- Valorizar o stock a preço de venda. O inventário fica ao custo, ou a um valor realizável líquido inferior, nunca ao preço que espera obter.
- Deixar os gastos adicionais de compra nos gastos gerais. Transporte e direitos de importação registados como gastos gerais subavaliam o inventário e distorcem as margens por produto.
- Incluir no custo o IVA dedutível ou a armazenagem. Ambos ficam fora do inventário.
- Mudar de método para gerir o lucro. Os resultados deixam de ser comparáveis, e uma alteração de política contabilística tem de ser justificada.
- Usar métodos diferentes para bens semelhantes. Inventários de natureza e uso semelhantes seguem um único método, esteja onde estiver o armazém.
- Esquecer os ajustamentos. O stock danificado, fora de prazo ou de baixa rotação tem de ser reduzido ao valor realizável líquido.
- Nunca conciliar com uma contagem. Uma valorização vale o que valem as quantidades por trás dela; compare regularmente a contabilidade com contagens físicas.
Como o Clientlly ajuda
O Clientlly valoriza o stock pelo FIFO: cada entrada cria uma camada de custo por armazém, as vendas, entregas, abates e transferências consomem primeiro as camadas mais antigas, e uma transferência mantém o custo da entrada. O valor do stock é o custo FIFO das unidades disponíveis, nunca o preço de venda. Os gastos adicionais de compra, como transporte, seguro, honorários do despachante, direitos aduaneiros e impostos de importação, são capitalizados e repartidos pelas linhas de stock por valor, peso, volume ou quantidade; se chegarem depois da receção, vão para as unidades que ainda estão em stock e a parte das unidades já vendidas vai para o custo das mercadorias vendidas. O preço de custo apresentado em cada produto segue uma média ponderada das entradas, e os relatórios de valorização de inventário e de margens, as contagens cíclicas e a conciliação de stock fazem parte do mesmo módulo de inventário.
Perguntas frequentes
O LIFO é permitido pelas IFRS?
Não. A IAS 2 aceita o FIFO e o custo médio ponderado para bens intercambiáveis e a identificação específica para bens únicos, mas não o LIFO. Os US GAAP continuam a permiti-lo.
Como se calcula o custo médio ponderado?
Divida o custo total das unidades disponíveis (inventário inicial mais compras) pelo número de unidades disponíveis. Esse custo médio multiplicado pelas unidades vendidas dá o custo das mercadorias vendidas e, multiplicado pelas unidades que restam, o inventário final.
O que é melhor, FIFO ou custo médio ponderado?
Nenhum é melhor em geral. O FIFO mantém o inventário final próximo dos preços atuais e adapta-se a produtos com prazo de validade; o custo médio ponderado suaviza as oscilações e adapta-se a bens intercambiáveis comprados com frequência a preços diferentes.
O FIFO dá mais lucro?
Com preços de compra a subir, sim: o FIFO leva ao custo das mercadorias vendidas os custos mais antigos e baratos, por isso o lucro e o inventário final são mais altos do que com o custo médio ponderado. Com preços a descer, o FIFO dá o lucro mais baixo.
Com FIFO tenho de expedir primeiro o stock mais antigo?
Não. O FIFO é um método de valorização, não uma regra de preparação de encomendas, embora muitos armazéns rodem o stock assim para evitar produtos fora de prazo.
Que custos entram no valor do inventário?
O preço de compra depois de descontos, os direitos de importação e impostos não recuperáveis, o transporte, o manuseamento e outros custos para colocar os bens no local e na condição atuais. O IVA dedutível, a armazenagem, os custos de venda e os desperdícios anormais ficam de fora.
Posso mudar do FIFO para o custo médio ponderado?
Só com uma boa razão: é uma alteração de política contabilística que tem de ser justificada e explicada nas demonstrações financeiras, e as regras fiscais podem limitá-la. Combine-a primeiro com o seu contabilista.
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